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Observatório·Inteligência artificial e eleições 2026
IA & Eleições

A importância de diferenciar um conteúdo real de um conteúdo fabricado no contexto das eleições

Por Leidy Borges 4 min de leitura Ponto de partida: Agência Brasil

De acordo com um estudo realizado pela Agência Pública com o intuito de combater a desinformação, intitulado “Como diferenciar notícias falsas de verdadeiras na era da Inteligência Artificial”, há 4 maneiras de propagar fake News com IA, são elas: contexto falso, conteúdo impostor, conteúdo manipulado e conteúdo fabricado. Uma notícia publicada no portal Agencia Brasil, no dia 02 de outubro de 2026, constatou que foram divulgados pelo menos 554 vídeos e imagens do tipo deepfake durante a campanha eleitoral de 2026 para o primeiro turno, conforme levantamento realizado pelo VIGIA e a agência de checagem LUPA.

Esse tipo de publicação, que se caracteriza pela manipulação da imagem de uma pessoa onde ela pode falar ou fazer ações que não aconteceram na realidade, foi proibido pelo Tribunal Superior Eleitoral, no entanto, eles correspondem a 60% dos conteúdos publicados produzidos por IA nos períodos de 16 de agosto a 28 de setembro deste ano. Grande parte desses conteúdos foram compartilhados por pessoas anônimas, dessa maneira, podemos comparar o teor viral desse tipo de material aos memes, pois é extremamente difícil identificar o indivíduo que de fato criou o material e, da mesma forma, como um vírus o conteúdo se espalha por todas as redes e possui alto potencial de chegar até o seu Whatsapp, compartilhado por um familiar.

É possível entender esse fenômeno ao compreender que, muito provavelmente, desses 554 conteúdos, grande parte foram criados por uma equipe especializada e paga para propagar desinformação, visto que, um material produzido por uma pessoa comum dificilmente tem a capacidade de furar a bolha em nível nacional, se isso acontece, provavelmente há uma estrutura consolidada por 1 trás. A inteligência artificial, que nem como “inteligência” podemos caracterizar, nada mais é que um conjunto de algoritmos complexos que, através de uma base gigantesca de dados, possui a capacidade de gerar informações. Ela não pensa e muito menos se assemelha ao trabalho jornalístico de apuração de fatos, por isso, é muito perigoso se apropriar de maneira exacerbada das suas funções, principalmente para se informar, e, com agravante maior, se informar no contexto político.

A política é uma área incerta de se tirar conclusões até para quem busca informação em veículos jornalísticos, considerando que a singela escolha de uma palavra a ser utilizada no texto tem o poder deinfluenciar uma ideia ou opinião. Uma análise realizada pelas universidades de Princeton e Nova York, publicada pela revista Science Advances em janeiro de 2019, avaliou o perfil de 3,5 mil internautas no Facebook durante a eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos e constatou que aqueles que têm idade superior a 65 anos compartilharam 7 vezes mais notícias falsas do que os com idades entre 18 e 29 anos.

Com o declíneo do jornalismo impresso e o crescente uso da internet como principal meio de comunicação, pessoas da terceira idade são vítimas constantes de fake news e possuem hipervulnerabilidade digital por diversas causas, a principal delas é a falta de letramento digital, uma vez que essas pessoas não cresceram com a internet e possuem dificuldades em diferenciar o que é um conteúdo orgânico, o que é um anúncio e o que é uma manipulação técnica. Há também uma outra questão aceitável para o alto compartilhamento de deepfakes entre as gerações mais velhas, para elas, ver uma figura de autoridade falando na televisão, ou seja, através de um vídeo, sempre foi sinônimo de verdade, por isso são alvos constantes e altamente lucrativos para redes de desinformação e estelionato.

Conforme o artigo “Inteligência Artificial e Transparência no Jornalismo”, um conteúdo real ‘[…]nunca deve prejudicar a confiança do público; deve ser transparente, responsável e com supervisão humana; e deve ser utilizada respeitando os valores da precisão, imparcialidade, justiça e privacidade.” Dado que a inteligência artificial generativa evolui de uma maneira assustadora, atualmente até mesmo pessoas cronicamente online possuem dificuldades em identificar, a primeira vista, se um conteúdo é ou não gerado pelos algoritmos, porém, todo e qualquer ser humano possui a capacidade de ir em busca de algo que se deseja, dito isso, através do mesmo meio utilizado para consumir desinformação, também se pode desvendá-la.

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