Café com Crítica ← Todos os textos

Observatório·Inteligência artificial e eleições 2026
IA & Eleições

Eleições e inteligência artificial – como conteúdos feitos por IA pode impulsionar campanhas para o segundo turno

Por Vanessa Aguiar 3 min de leitura Ponto de partida: g1

Em 6 de outubro, o projeto Fato ou Fake, do G1, verificou um vídeo que circulava nas redes sociais no qual Flávio Bolsonaro aparecia afirmando que o trabalhador brasileiro teria de escolher entre “menos direitos e emprego” ou “todos os direitos e desemprego”. A verificação concluiu que o conteúdo havia sido manipulado com inteligência artificial. Duas ferramentas utilizadas na checagem apontaram 97% de probabilidade de presença de IA ou deepfake no material. Além disso, por meio de busca reversa, os jornalistas localizaram a gravação original, publicada em janeiro de 2026, na qual o então senador falava sobre sua visita ao Memorial do Holocausto, em Jerusalém, sem fazer a declaração sobre direitos trabalhistas atribuída a ele no vídeo adulterado.

O episódio evidencia justamente o problema apresentado por Natalia Viana e Babak Fakhamzadeh no Guia Como Diferenciar Notícias Falsas de Verdadeiras na Era da Inteligência Artificial. Para os autores, uma campanha de desinformação não depende apenas de quem cria determinada peça, mas de uma rede de atores responsáveis por fazê-la circular. Entre eles estão os “ativistas e voluntários orgânicos”, pessoas comuns que, motivadas por identificação político-partidária, afeto ou sentimento de pertencimento, compartilham voluntariamente determinados conteúdos e, dessa forma, contribuem para ampliar seu alcance.

Nas últimas semanas as redes sociais foram bombardeadas por um único assunto, o resultado do primeiro turno das eleições de 2026. Por um lado os integrantes de direita celebram sua vitória em primeiro momento com as urnas, já o partido de esquerda apresenta sua preocupação com o futuro do cenário brasileiro e levanta quesões de como driblar os resultados dos votos do segundo turno. Em apenas três semanas, partidos, candidatos, apoiadores, veículos de comunicação e produtores de conteúdo disputarão a atenção do eleitorado em um ambiente no qual a circulação de informações acontece de maneira cada vez mais rápida e que pode ser produzida por inteligência artificial.

Se as redes sociais já ocupavam uma posição central nas estratégias eleitorais brasileiras, o avanço das ferramentas de IA acrescenta uma nova dimensão à comunicação política. Conteúdos feitos por IA já foram introduzidos em campanhas antes mesmo do primeiro momento com as urnas e trouxeram resultados negativos. Agora com pouco tempo até a decisão final sobre quem estará representando a Presidência da República, esses mesmos conteúdos podem ser usados nocivamente e de forma mais radical do que anteriormente para derrubar partidos políticos.

O jornalismo nesse cenário ocupa um lugar de intermediação sobre o que é verdade, fake ou feito por uma máquina. Veículos de comunicação de renome, como G1, já estão trabalhando com produções de notícias que respondam a verdade sobre supostas fake news, como foi o caso da notícia citada anteriormente. Movimentos como estes, podem ser considerados como boas práticas de jornalismo, esses profissionais que tem como objetivo e parte do trabalho a apuração dos fatos, trazem a verdade à população em tempos de decisão política e que a informação é o patrono da democracia.

Observatório Café com Crítica — um espaço de leitura crítica da mídia.

Crítica da Mídia · Jornalismo UFMA · Laborejo