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Observatório·Inteligência artificial e eleições 2026
IA & Eleições

Como a Inteligência Artificial muda a forma de consumir informação nas eleições de 2026

Em meio ao bombardeio de notícias todos os dias, é crucial desconfiar de respostas rasas e sem embasamento, buscar dados, caso apareçam, e entender que há e sempre haverá um interesse político por trás da desinformação.

Por Hillary Araújo 3 min de leitura Ponto de partida: objETHOS e BBC

A desinformação e as fake news que eram espalhadas por meio de mensagens em caixa alta em grupos de WhatsApp nas eleições de 2018 são disseminadas de uma nova forma, mais eficiente, nas eleições de 2026, com o uso da Inteligência Artificial.

Uma pesquisa realizada pelo Observatório Fundação Itaú e Datafolha, em 2025, sobre Consumo e Uso de Inteligência Artificial no Brasil, revela que 82% dos brasileiros já ouviram falar sobre IA e que 93% dos entrevistados utilizam alguma ferramenta com IA no seu cotidiano.

O uso da IA como única forma de informação parece ser preocupante para as eleições de 2026 devido à grande ligação das informações com os algoritmos. Algo colocado nessas ferramentas pode aparecer várias vezes em outros canais, reforçando aquela ideia.Diante disso, o papel do jornalismo em tempos de IA se torna ainda mais essencial. Essas informações coletadas não devem ser consideradas como algo usado de forma passiva pelas IAs. É a partir disso que as grandes Big Techs tiram proveito para manipular as timelines das plataformas digitais.

O guia de Natália Viana e Babak Fakhamzadeh alerta que a inteligência artificial inaugura “uma nova era da desinformação”, marcada pela possibilidade de produzir e espalhar conteúdos falsos de forma mais rápida e sofisticada. Por isso, a verificação dos fatos e a apuração jornalística continuam sendo fundamentais para diferenciar informação de desinformação.

Um exemplo disso foi uma pesquisa publicada pelo TecMundo em setembro deste ano, que perguntou aos principais chatbots o que eles esperavam do próximo presidente do Brasil. O resultado mostrou que as respostas foram diferentes entre ChatGPT, Gemini, Claude, Grok e DeepSeek, sendo que algumas IAs evitaram falar diretamente sobre candidatos, enquanto o DeepSeek chegou a reproduzir a polarização política brasileira. O próprio estudo alerta que fatores como memória das conversas, fontes utilizadas e configurações dos modelos podem interferir nas respostas.

Em momentos em que parece ser apenas um “bom dia” para o ChatGPT, pode ser criado um vínculo com uma ferramenta que está coletando dados para utilizá-los como forma de troca para as Big Techs. Por isso, informar-se é um ato de responsabilidade, principalmente quando se trata de um contexto coletivo como as eleições.

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