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Observatório·Inteligência artificial e eleições 2026
IA & Eleições

Imagens de IA e a sua relação com a mudança de votos nas Eleições 2026

Por Amanda Melo 3 min de leitura Ponto de partida: g1

O período das Eleições 2026 no Brasil tem sido movimentado. Em 2022, os nomes de Lula e Bolsonaro foram os escolhidos para a disputa, e agora a história se repete com um novo personagem: Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e defensor de políticas de direita. Em sua primeira candidatura presidencial, Flávio teve uma grande ascensão, alcançando 47,50% dos votos do país e garantindo sua ida ao 2° turno.

Nesse cenário, a presença de Fake News já era prevista com vigor. Contudo, com a evolução da Inteligência Artificial (IA), a criação e a manipulação de conteúdos e notícias tornaram-se cada vez mais diretas e fáceis. A IA não é mais inocente como na sua primeira fase — quando a produção automática era centrada na economia e no desporto por serem áreas com muitos dados de livre acesso (YOUNG; HERMIDA, 2015). A nossa realidade atual é a de uma tecnologia usada para confundir e manipular os votos das pessoas, especialmente as de menor escolaridade.

Uma notícia recente do portal g1 comprovou a força desse problema. Um vídeo circulou na internet mostrando a influenciadora Virginia Fonseca declarando apoio ao candidato Flávio Bolsonaro. Na gravação, a influenciadora instigava seus seguidores:

“Se você também apoia ele, clica em todos os botões da direita e aperta na cruz vermelha, assim você irá nos ajudar a subir nas pesquisas. Beijos, meus amores”.

Após a repercussão, Virginia desmentiu a gravação ao g1, garantindo que o conteúdo era falacioso. Ferramentas de detecção de IA, como Hive Moderation e Detector Mever/InVID, confirmaram a falsidade do vídeo com 98,8% e 97% de probabilidade, respectivamente.

Essa ação é um exemplo claro de desinformação. O termo, explicado no Guia Prático de Combate à Desinformação da Agência Pública, refere-se a “mensagens estruturadas com aparência e formato de notícia que veiculam fatos comprovadamente mentirosos”, destacando o uso do tom jornalístico como uma maquiagem para esconder as mentiras.

A IA possui o poder de mascarar a falsificação e torná-la extremamente convincente. Por falta de conhecimento prévio e de pesquisas de checagem, muitas pessoas são enganadas e acreditam em qualquer vídeo ou mensagem que chega ao seu círculo pessoal. Ao imaginar os mais de 56 milhões de seguidores de Virginia Fonseca, percebe-se a alta probabilidade de eleitores ficarem em dúvida ou até mudarem de voto ao acreditar em uma manipulação gerada por IA, uma situação extremamente desgastante.

Diante disso, surge a questão: quem vai lidar com as consequências de todas essas mentiras? Como o ambiente digital é muito livre para essa disseminação, achar um culpado é um desafio. Por isso, as plataformas digitais têm responsabilidades a cumprir e precisam desenvolver mecanismos eficazes para identificar e reduzir a circulação desses conteúdos manipulados.

O jornalismo existe para divulgar informações que condizem com a verdade dos fatos, trazendo a luz a quem precisa ver. Em meio à espera do 2° turno das Eleições, há tanto a ser apurado e investigado, tanto por jornalistas quanto pelos próprios eleitores, que a mistura entre fatos e fakes representa um grave atraso para a nossa democracia.

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