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Observatório·Inteligência artificial e eleições 2026
IA & Eleições

Inteligência artificial e os desafios da desinformação nas eleições

Por Arthur Pereira Serejo 2 min de leitura Ponto de partida: UOL

A notícia “Vídeo de Lula com 10 dedos gera discussão sobre uso de IA nas eleições” do site UOL foi o ponto de partida para este texto. O vídeo em questão mostra o presidente Lula com cinco dedos na mão esquerda, o que fez viralizar nas redes sociais digitais e também gerou suspeitas sobre o uso de inteligência artificial nas eleições. O vídeo foi questionado na Justiça Eleitoral por possível propaganda antecipada, uso de IA sem identificação, deepfake e desinformação. A defesa dos responsáveis pela publicação admitiu o uso de ferramentas de IA na pós-produção, mas afirmou que foram utilizadas apenas para melhorias estéticas e transições. Por fim, a Justiça Eleitoral concluiu que realmente a IA foi utilizada apenas na pós-produção do conteúdo, e não para criar ou alterar a imagem do presidente.

Nesse sentido, vídeos como esse mostram que, da mesma forma que a IA pode “inventar” dedos, ela também pode colocar pessoas em outras roupas, fisionomias, lugares e contextos. É pensando nisso que há uma preocupação em como ela pode e deve ser utilizada. Discursos inteiros podem ser criados e também mobilizar/alcançar/influenciar diversas pessoas em vários lugares do Brasil devido aos algoritmos das redes sociais digitais. Dessa forma, ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de acesso e participação na comunicação, o ambiente digital oferece condições para uma circulação mais ampla de conteúdos desinformativos. A multiplicidade de atores envolvidos na produção e distribuição de informações torna menos evidente a distinção entre os conteúdos provenientes de instituições jornalísticas e aqueles produzidos por outros usuários.

Inclusive, conforme a Agência Pública nos explica no guia prático de combate à desinformação “Como diferenciar notícias falsas de verdadeiras na era da inteligência artificial”, o conteúdo manipulado acontece quando uma informação verdadeira ou é mudada de forma intencional para induzir o público ao erro. Em vez de criar uma informação completamente falsa, altera-se parte da realidade para construir uma narrativa diferente.

Diante disso, o caso mostra que o uso da inteligência artificial nas eleições exige cada vez mais atenção, tanto de quem consome, quanto de quem produz. Nesse cenário, o combate à desinformação não depende apenas das plataformas ou da Justiça Eleitoral, mas também da responsabilidade de quem produz/publica e de quem recebe esses conteúdos.

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