Afinal, o que é estética e qual sua importância no nosso dia a dia?
Por Gabriel Almeida
5 de julho de 2025
Você já se perguntou alguma vez por que algumas coisas nos causam tanto encanto ou desconforto? Por que alguns preferem ouvir rock alternativo e outros funk carioca? Essas reações fazem parte do estudo da estética, uma área que hoje vai além da simples noção do “belo” ou “feio”, investigando como somos afetados pelo mundo.
A estética trata da nossa experiência sensível: aquilo que vemos, tocamos, ouvimos e sentimos. Desde as classificações clássicas até os estímulos visuais nas redes sociais ou protestos políticos, ela tem acompanhado as transformações da sociedade, sendo onipenetrante.
Embora associada às artes, a estética assumiu novos contornos, ocupando um lugar central na comunicação e no capitalismo. Na publicidade, cada cor ou som é pensado para provocar uma resposta emocional, estimulando o consumo. Vivemos em um tempo em que a estética tem sido instrumentalizada de forma proposital.
A estética permeia nosso cotidiano e influencia nossas percepções e decisões. Montagem do autor a partir de imagens do longa-metragem Baraka (1993), Unsplash e “Noite Estrelada” de Van Gogh (1889).
A estética também é uma maneira de conceber o mundo. Quando somos tocados por uma imagem, uma música ou um aroma, construímos narrativas internas sobre o que sentimos. Essa sensibilidade nos ajuda a interpretar e atribuir sentido às coisas, mesmo que de forma inconsciente.
Estudo filosofia indiana há anos, e a estética espiritualista, por exemplo, é um meio de acesso ao sublime. O conceito de rasas — um “saboreamento estético” — perpassa tanto a experiência religiosa quanto as artes e outras inúmeras expressões emocionais e sensoriais.
Para Kant, julgar o belo é subjetivo, mas com uma pretensão universal. Ele defende que a apreciação estética é desinteressada, livre de utilidade. Porém, essa visão é questionada: como o ‘gosto’ pode ser desinteressado, se somos condicionados a perceber as coisas de uma forma específica?
Pierre Bourdieu contra-argumenta: o gosto está ligado à origem social. As preferências estéticas nunca são neutras, refletem fatores culturais, econômicos e históricos. O repertório estético de alguém da periferia tende a ser diferente de quem cresceu em um bairro nobre.
Nossos gostos são marcados por experiências em comunidade. Bourdieu defende que o gosto não é apenas individual, mas atua como um marcador social — sendo, muitas vezes, produto das classes dominantes.
Compreender a estética é importante para entender por que sentimos o que sentimos. Em um mundo imagético e imediatista, desenvolver uma sensibilidade crítica se torna essencial para não sermos meros produtos do sistema.
Mais que isso: a estética também é uma forma de resistência. Está nas roupas, na linguagem de grupos marginalizados, nas artes periféricas, nas bandeiras de movimentos sociais. É um campo onde diferentes grupos reivindicam suas identidades.
A estética não é um campo de estudo dissociado da realidade — é parte do nosso cotidiano, das nossas vivências e da forma como nos relacionamos, sendo, portanto, uma parte inseparável da experiência humana.
Gabriel Almeida é estudante de Comunicação Social (Audiovisual) na UFMA e integra o Laborejo. Tem experiência em redação, produção de TV/rádio, roteiros e projetos audiovisuais.
